Azitromicina: para que serve, dose e efeitos
A azitromicina é um antibiótico amplamente utilizado no tratamento de diversas infeções bacterianas. Pertencente à classe dos macrólidos, destaca-se pela sua semivida longa, o que permite regimes posológicos mais curtos e convenientes para os doentes, aumentando a adesão ao tratamento.
Conhecer as indicações, a dosagem correta e os potenciais efeitos adversos da azitromicina é crucial para o seu uso seguro e eficaz, minimizando o risco de resistência antimicrobiana e garantindo os melhores resultados clínicos. Este artigo explora em detalhe estaspetos fundamentais.
- Para que serve a Azitromicina? Indicações terapêuticas
- Posologia e modo de administração
- Como funciona a Azitromicina?
- Efeitos secundários da Azitromicina
- Interações da Azitromicina com outros medicamentos
- Contraindicações e precauções
- Perguntas frequentes
- Fontes e Referências
Para que serve a Azitromicina? Indicações terapêuticas
A azitromicina é um antibiótico de largo espetro, eficaz contra uma vasta gama de bactérias gram-positivas e gram-negativas. É frequentemente utilizada para tratar infeções onde outros antibióticos podem ser menos eficazes ou estão contraindicados. As suas principais indicações incluem:
- Infeções respiratórias:
- Faringite, amigdalite e sinusite bacteriana aguda.
- Bronquite aguda e exacerbação aguda da bronquite crónica.
- Pneumonia adquirida na comunidade (PAC), incluindo casos atípicos.
- Infeções do ouvido:
- Otite média aguda.
- Infeções da pele e tecidos moles:
- Incluindo celulite não complicada, erisipela e impetigo.
- Infeções sexualmente transmissíveis (ISTs):
- Uretrite e cervicite não gonocócica causadas por Chlamydia trachomatis.
- Pode ser utilizada em esquemas terapêuticos específicos para gonorreia, embora com crescente cautela devido à resistência.
- Cancro mole (Haemophilus ducreyi).
- Infeções gastrintestinais:
- Gastroenterites causadas por certas bactérias, como Campylobacter jejuni e Shigella.
- Prevenção de infeções:
- Prevenção da doença do complexo Mycobacterium avium (MAC) em doentes com VIH avançado.
Espectro antibacteriano
A azitromicina demonstra atividade in vitro e in vivo contra vários microrganismos importantes:
- Bactérias gram-positivas: Streptococcus pneumoniae, Streptococcus pyogenes, Staphylococcus aureus (apenas estirpes sensíveis à meticilina), Bacillus anthracis.
- Bactérias gram-negativas: Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, Neisseria gonorrhoeae, Chlamydia trachomatis, Legionella pneumophila, Bordetella pertussis, Campylobacter jejuni, Pasteurella multocida.
- Outros microrganismos: Mycoplasma pneumoniae, Ureaplasma urealyticum, Borrelia burgdorferi (agente da Doença de Lyme), Toxoplasma gondii.
É importante notar que a azitromicina não é ativa contra enterobactérias, como Escherichia coli ou Klebsiella spp., o que é relevante para o tratamento de infeções urinárias, onde estes são os agentes mais comuns. Amoxicilina ou fosfomicina são opções mais habituais nestes casos.
Posologia e modo de administração
A dose e a duração do tratamento com azitromicina variam significativamente dependendo da infeção a ser tratada, da idade e do peso do doente, e da formulação utilizada (comprimidos, suspensão oral, injectável). É fundamental seguir rigorosamente as indicações do médico e as informações presentes na bula do medicamento.
Posologia em adultos e adolescentes (com mais de 45 kg)
| Indicação Terapêutica | Posologia Típica | Duração do Tratamento |
| Faringite/Amigdalite (Streptococcus pyogenes) | 500 mg uma vez por dia, durante 3 dias | 3 dias |
| Infeções respiratórias (excluindo pneumonia comunitária) | 500 mg (dose única no 1º dia), seguido de 250 mg/dia | 3 ou 5 dias |
| Pneumonia adquirida na comunidade | 500 mg, uma vez por dia | 3 dias |
| Infeções da pele e tecidos moles não complicadas | 500 mg, uma vez por dia | 3 dias |
| Uretrite/Cervicite não gonocócica (Chlamydia) | 1 g (1000 mg) em dose única | Dose única |
| Gonorreia não complicada | 1 g ou 2 g em dose única (conforme sensibilidade e epidemiologia local) | Dose única |
| Cancro mole | 1 g em dose única | Dose única |
| Sífilis (estágio inicial, alternativa para penicilina) | 500 mg uma vez por dia | 10 dias |
| Prevenção da Doença do Complexo Mycobacterium avium (MAC) | 1200 mg uma vez por semana | Contínuo |
Posologia em crianças (com menos de 45 kg)
Para crianças, a dose é geralmente calculada com base no peso corporal (mg/kg) e a formulação mais comum é a suspensão oral.
- Otite média aguda e sinusite bacteriana aguda: 30 mg/kg administrados numa dose única, ou 10 mg/kg uma vez por dia durante 3 dias, ou 10 mg/kg como dose única no primeiro dia, seguido
de 5 mg/kg durante 4 dias.
- **Faringite e amigdalite (causadas por Streptococcus pyogenes):** 12 mg/kg uma vez por dia durante 5 dias.
- Outras infeções sensíveis: 10 mg/kg uma vez ao dia, durante 3 dias (dose total de 30 mg/kg), ou 10 mg/kg no primeiro dia, seguido de 5 mg/kg nos dias 2 a 5.
Recomendações de administração
- A azitromicina pode ser tomada com ou sem alimentos. No entanto, se ocorrerem problemas de estômago, pode ser útil tomá-la com alimentos.
- É importante tomar o medicamento à mesma hora todos os dias para manter níveis constantes do antibiótico no organismo.
- Mesmo que os sintomas melhorem, é crucial completar o tratamento prescrito para erradicar completamente a infeção e prevenir o desenvolvimento de resistência bacteriana.
Ajustes de dose
- Insuficiência renal: Não é necessário ajuste de dose para insuficiência renal ligeira a moderada. Em doentes com insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular < 10 mL/min), a azitromicina deve ser usada com precaução devido ao aumento da concentração sérica e toxicidade.
- Insuficiência hepática: A azitromicina é metabolizada no fígado, pelo que deve ser utilizada com precaução em doentes com doença hepática significativa. Pode ser necessário um ajuste de dose ou monitorização mais rigorosa da função hepática.
Como funciona a Azitromicina?
A azitromicina é um antibiótico bacteristático, o que significa que, em vez de matar as bactérias diretamente, ela impede o seu crescimento e reprodução, permitindo que o sistema imunitário do corpo as elimine. O seu mecanismo de ação baseia-se na inibição da síntese proteica bacteriana.
Mecanismo de ação detalhado
- Ligação ao ribossoma bacteriano: A azitromicina liga-se de forma reversível à subunidade 50S do ribossoma bacteriano.
- Inibição da translocação: Ao ligar-se ao ribossoma, impede o movimento (translocação) do RNA de transferência (tRNA) e, consequentemente, o alongamento da cadeia polipeptídica. As proteínas são essenciais para o crescimento, divisão e sobrevivência das bactérias.
- Cessação do crescimento bacteriano: A inibição da síntese proteica impede as bactérias de produzir as proteínas de que necessitam para as suas funções vitais, o que leva à interrupção do seu crescimento e reprodução.
A azitromicina acumula-se em concentrações elevadas nos fagócitos (células do sistema imunitário), como macrófagos e neutrófilos, e é transportada para o local da infeção. Desta forma, é libertada em altas concentrações diretamente no local onde as bactérias estão presentes, o que contribui para a sua eficácia. A sua semivida de eliminação prolongada, cerca de 68 horas, permite uma única dose diária ou até regimes de dose única ou de curta duração, dependendo da infeção.
Efeitos secundários da Azitromicina
Como qualquer medicamento, a azitromicina pode causar efeitos secundários, embora nem todas as pessoas os experienciem. A maioria dos efeitos são leves a moderados e transitórios.
Efeitos secundários muito frequentes (≥1/10)
- Doenças gastrointestinais: Dor abdominal, diarreia, náuseas.
Efeitos secundários frequentes (≥1/100 a <1/10)
- Doenças do sangue e do sistema linfático: Linfocitopenia (diminuição dos linfócitos), eosinofilia (aumento dos eosinófilos).
- Doenças do sistema nervoso: Cefaleia (dor de cabeça).
- Doenças gastrointestinais: Vómitos.
- Perturbações gerais e alterações no local de administração: Inchaço e dor no local da injeção (para a forma intravenosa).
- Exames complementares de diagnóstico: Diminuição da contagem de bicarbonato.
Efeitos secundários pouco frequentes (≥1/1.000 a <1/100)
- Infeções e infestações: Candidíase (infeção fúngica), candidíase oral, infeção vaginal, pneumonia, faringite, gastroenterite, rinite.
- Doenças do sangue e do sistema linfático: Leucopenia, neutropenia.
- Doenças do sistema imunitário: Angioedema (inchaço súbito da pele e mucosas), hipersensibilidade.
- Perturbações do metabolismo e nutrição: Anorexia.
- Perturbações do foro psiquiátrico: Nervosismo, insónia.
- Doenças do sistema nervoso: Tonturas, sonolência, parestesia (sensações anormais como formigueiro), disgeusia (alteração do paladar).
- Doenças dos olhos: Deficiência visual.
- Doenças do ouvido e do labirinto: Vertigens.
- Cardiopatias: Palpitações.
- Doenças gastrointestinais: Obstipação, flatulência, dispepsia (indigestão), disfagia (dificuldade em engolir), distensão abdominal, boca seca, eructação, úlceras orais, hipersecreção salivar.
- Afecções hepatobiliares: Hepatite.
- Afecções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Erupção cutânea, prurido, urticária, dermatite, pele seca, hiperidrose (suores excessivos).
- Doenças musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos: Osteoartrite, mialgia (dor muscular), dor nas costas, dor no pescoço.
- Doenças renais e urinárias: Disúria (dor ao urinar), dor renal.
- Perturbações gerais e alterações no local de administração: Dor torácica, astenia (fraqueza), mal-estar, fadiga, inchaço da face, febre, dor, edema periférico.
- Exames complementares de diagnóstico: Aumento das enzimas hepáticas (AST, ALT), aumento da bilirrubina, da ureia, da creatinina, alteração dos níveis de potássio, glicose.
Efeitos secundários raros (≥1/10.000 a <1/1.000)
- Doenças do sistema imunitário: Reações anafiláticas (reações alérgicas graves e potencialmente fatais).
- Afecções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Reação de fotossensibilidade (sensibilidade à luz solar).
Efeitos secundários de frequência desconhecida (não podem ser calculados a partir dos dados disponíveis)
- Doenças do sangue e do sistema linfático: Trombocitopenia (diminuição das plaquetas), anemia hemolítica.
- Doenças do sistema imunitário: Choque anafilático.
- Perturbações do foro psiquiátrico: Agressividade, ansiedade, delírio, alucinações.
- Doenças do sistema nervoso: Síncope (desmaio), convulsões, hipoestesia (diminuição da sensibilidade), hiperatividade psicomotora, anosmia (perda do olfato), ageusia (perda do paladar), parosmia (distorção do olfato), miastenia gravis (agravo de uma doença neuromuscular).
- Doenças do ouvido e do labirinto: Diminuição da audição (incluindo surdez e zumbidos).
- Cardiopatias: Torsades de pointes (arritmia cardíaca grave), prolongamento do intervalo QT no ECG.
- Doenças gastrointestinais: Pancreatite, descoloração da língua.
- Afecções hepatobiliares: Falência hepática (raramente fatal), necrose hepática, icterícia colestática.
- Afecções dos tecidos cutâneos e subcutâneos: Síndrome de Stevens-Johnson (SSJ), necrólise epidérmica tóxica (NET), eritema multiforme, pustulose exantemática generalizada aguda (AGEP), reação medicamentosa com eosinofilia e sintomas sistémicos (DRESS).
- Doenças musculosqueléticas e dos tecidos conjuntivos: Artralgia (dor nas articulações).
- Doenças renais e urinárias: Nefrite intersticial, insuficiência renal aguda.
É crucial procurar atendimento médico imediatamente se ocorrerem efeitos secundários graves, como reações alérgicas severas (dificuldade em respirar, inchaço da face/garganta, erupção cutânea grave), batimentos cardíacos irregulares, amarelecimento da pele ou olhos, ou diarreia grave e persistente.
Interações da Azitromicina com outros medicamentos
A azitromicina pode interagir com outros medicamentos, alterando a sua eficácia ou aumentando o risco de efeitos secundários. É essencial informar o médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos que está a tomar, incluindo medicamentos sem receita médica, suplementos e produtos à base de plantas.
Interações farmacocinéticas
As interações da azitromicina são principalmente devido à sua capacidade de inibir, embora mais fracamente que outros macrólidos (como a eritromicina), a enzima CYP3A4 no fígado.
- Antiácidos: A administração concomitante de antiácidos contendo alumínio e magnésio pode reduzir as concentrações séricas máximas da azitromicina. Recomenda-se que a azitromicina seja tomada pelo menos 1 hora antes ou 2 horas após a toma de antiácidos.
- Digoxina: A azitromicina pode aumentar os níveis de digoxina no sangue. É necessária monitorização dos níveis de digoxina e ajuste da dose, se necessário.
- Colchicina: Pode aumentar os níveis de colchicina, aumentando o risco de toxicidade.
- Ciclosporina: A azitromicina pode aumentar significativamente os níveis plasmáticos de ciclosporina. Se a coadministração for necessária, os níveis de ciclosporina devem ser monitorizados cuidadosamente e a dose ajustada.
- Anticoagulantes orais (cumarínicos, ex: varfarina): Foram reportados aumentos do efeito anticoagulante quando a azitromicina é administrada com anticoagulantes cumarínicos. A monitorização regular do tempo de protrombina (INR) é aconselhada.
- Medicamentos que prolongam o intervalo QT: Existe um risco aumentado de arritmias cardíacas graves (torsades de pointes) quando a azitromicina é administrada com outros medicamentos que prolongam o intervalo QT do eletrocardiograma. Estes incluem:
- Antiarrítmicos (ex: quinidina, procainamida, amiodarona, sotalol).
- Antipsicóticos (ex: pimozida, haloperidol, ziprasidona).
- Antidepressivos (ex: citalopram).
- Fluoroquinolonas (ex: moxifloxacina, levofloxacina).
- Antifúngicos (ex: fluconazol, cetoconazol).
- Certos medicamentos antivirais.
- Certos antimaláricos (ex: cloroquina, hidroxicloroquina).
- O uso concomitante com estes medicamentos deve ser evitado ou feito com extrema cautela e monitorização cardíaca.
- Ergotamínicos (ergotamina ou di-hidroergotamina): A coadministração de macrólidos com derivados do ergot pode levar a ergotismo (efeitos tóxicos graves, incluindo vasoespasmo e isquemia das extremidades). Embora a azitromicina tenha uma interação menos pronunciada, o risco não pode ser excluído. O uso concomitante deve ser evitado.
- Estatinas (inibidores da HMG-CoA redutase): Houve relatos de rabdomiólise (lesão muscular grave) em doentes a tomar azitromicina concomitantemente com estatinas, especialmente estatinas metabolizadas por CYP3A4, como simvastatina. Deve-se ter precaução.
- Nelfinavir: A administração concomitante de nelfinavir, um inibidor da protease, resulta em concentrações plasmáticas aumentadas de azitromicina. Embora não seja recomendado um ajuste de dose da azitromicina, deve-se estar atento a efeitos secundários conhecidos da azitromicina.
- Rifabutina: A coadministração com rifabutina pode resultar em diminuição das contagens de neutrófilos, embora a relação causal não esteja totalmente estabelecida.
- Teofilina: Embora estudos não tenham demonstrado interação farmacocinética significativa, é prudente monitorizar os níveis de teofilina em doentes que recebem ambos os medicamentos, especialmente se houver suspeita de toxicidade.
Esta lista não é exaustiva. É fundamental que o doente informe o seu médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos que está a tomar para que possam ser avaliadas quaisquer potenciais interações.
Contraindicações e precauções
A azitromicina, apesar da sua eficácia, não é adequada para todos os indivíduos e requer precauções em certas situações clínicas.
Contraindicações
- Hipersensibilidade: Não deve ser utilizada em doentes com hipersensibilidade conhecida à azitromicina, à eritromicina, a qualquer outro antibiótico macrólido ou cetolídeo, ou a qualquer um dos excipientes da formulação. A reação pode ser grave e potencialmente fatal (ex: anafilaxia, Síndrome de Stevens-Johnson).
Precauções especiais de utilização
- Reações de hipersensibilidade: Tal como com a eritromicina e outros macrólidos, foram notificadas reações alérgicas graves, incluindo angioedema e anafilaxia (raramente fatal), e reações cutâneas graves (Síndrome de Stevens-Johnson, necrólise epidérmica tóxica e DRESS). Se ocorrer uma reação alérgica, o medicamento deve ser descontinuado e deve ser instituída terapêutica apropriada.
- Comprometimento hepático: A azitromicina é metabolizada no fígado. Deve ser utilizada com precaução em doentes com doença hepática significativa. Foram notificados casos de disfunção hepática, incluindo hepatite, icterícia colestática, necrose hepática e insuficiência hepática, alguns dos quais resultaram em morte.
- Comprometimento renal: Não é necessário ajuste de dose em doentes com insuficiência renal ligeira a moderada. No entanto, em doentes com insuficiência renal grave (taxa de filtração glomerular < 10 mL/min), a azitromicina deve ser utilizada com precaução devido ao risco de aumento da exposição sistémica.
- Prolongamento do intervalo QT: A azitromicina prolonga o intervalo QT do eletrocardiograma e pode aumentar o risco de arritmias cardíacas e torsades de pointes. Particular precaução é necessária em doentes com:
- Prolongamento congénito ou adquirido do intervalo QT.
- Doentes a tomar outros medicamentos que prolongam o intervalo QT.
- Distúrbios eletrolíticos não corrigidos (especialmente hipocaliemia e hipomagnesemia).
- Bradicardia clinicamente relevante, arritmia cardíaca ou insuficiência cardíaca grave.
- Idosos, que podem ser mais suscetíveis aos efeitos relacionados com o QT.
- **Doença por Clostridium difficile (CDAD):** Diarreia associada a Clostridium difficile foi reportada com quase todos os agentes antibacterianos, incluindo azitromicina. A gravidade pode variar de diarreia ligeira a colite fatal. Esta condição deve ser considerada em doentes que apresentem diarreia após a administração de antibióticos.
- Miastenia Gravis: Foram notificados casos de exacerbação dos sintomas de miastenia gravis em doentes a receber azitromicina.
- Infeções estreptocócicas: A azitromicina não é geralmente o medicamento de primeira linha para a faringite devido a Streptococcus pyogenes e para a profilaxia da febre reumática. Penicilina continua a ser a primeira escolha.
- ***Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA):* A azitromicina não é eficaz contra MRSA.
- Uso em crianças: A segurança e eficácia da azitromicina na prevenção ou tratamento de infeção por Mycobacterium avium em crianças não foram estabelecidas.
- Gravidez e amamentação:
- Gravidez: Embora estudos em animais não sugiram efeitos teratogénicos, não existem estudos adequados e bem controlados em mulheres grávidas. A azitromicina deve ser usada durante a gravidez apenas se o benefício justificar o risco potencial para o feto.
- Amamentação: A azitromicina é excretada no leite materno. Deve-se ter cautela ao administrar azitromicina a mulheres a amamentar. O bebé pode desenvolver diarreia, vómitos ou uma infeção fúngica.
É fundamental que o médico avalie cuidadosamente o balanço risco-benefício antes de prescrever azitromicina, tendo em conta o historial clínico completo do doente.
Perguntas frequentes
A azitromicina é eficaz para infeções virais?
Não, a azitromicina é um antibiótico e é eficaz apenas contra infeções causadas por bactérias. Não tem qualquer efeito sobre vírus, como os que causam a gripe ou a constipação comum.
Quanto tempo demora a azitromicina a fazer efeito?
Geralmente, os doentes começam a sentir melhorias nos sintomas em 2 a 3 dias. No entanto, é crucial completar todo o ciclo de tratamento prescrito, mesmo que os sintomas desapareçam, para garantir a erradicação completa da infeção.
Como devo tomar a azitromicina se me esquecer de uma dose?
Se se esquecer de tomar uma dose, tome-a assim que se lembrar. Se estiver quase na hora da próxima dose, salte a dose esquecida e continue com o seu horário regular. Não tome uma dose a dobrar para compensar a dose que se esqueceu.
Posso beber álcool enquanto tomo azitromicina?
Não existem interações diretas conhecidas entre a azitromicina e o álcool. No entanto, o álcool pode agravar alguns efeitos secundários gastrointestinais da azitromicina, como náuseas ou dores de estômago. É geralmente aconselhável evitar o consumo excessivo de álcool durante o tratamento com antibióticos.
A azitromicina pode causar problemas cardíacos?
Sim, em casos raros, a azitromicina pode prolongar o intervalo QT do eletrocardiograma, o que pode levar a arritmias cardíacas graves, como torsades de pointes. Este risco é maior em doentes com certas condições cardíacas preexistentes ou que tomam outros medicamentos que afetam o ritmo cardíaco.
A azitromicina é segura durante a gravidez?
A azitromicina deve ser utilizada durante a gravidez apenas se o benefício esperado for superior ao risco potencial para o feto. É importante discutir isto com o seu médico, que irá avaliar a sua situação específica.
Fontes e Referências
- INFARMED - Azitromicina (Resumo das Características do Medicamento): Informação oficial sobre o medicamento em Portugal.
https://www.infarmed.pt/web/infarmed/prontuario/-/farmaco/19799
- EMA - European Medicines Agency (Azithromycin): Informação regulamentar e científica a nível europeu.
https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/referrals/azithromycin
- Manual MSD - Azitromicina: Artigo detalhado sobre o uso clínico e farmacologia da azitromicina.
https://www.msdmanuals.com/professional/drugguidance/azithromycin
- Drugs.com - Azithromycin: Base de dados abrangente sobre medicamentos, incluindo usos, efeitos secundários e interações.
https://www.drugs.com/azithromycin.html
- National Health Service (NHS) - Azithromycin: Informação sobre azitromicina para o público, incluindo como e quando tomar.
https://www.nhs.uk/medicines/azithromycin/
- British National Formulary (BNF) - Azithromycin: Guia de referência para profissionais de saúde do Reino Unido.
