Metformina: para que serve, dose e efeitos secundários
A metformina é um dos medicamentos mais prescritos e estudados a nível mundial para o tratamento da diabetes mellitus tipo 2. Pertencente à classe das biguanidas, atua principalmente reduzindo a produção de glicose pelo fígado e aumentando a sensibilidade das células à insulina, o que ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue. A sua eficácia, perfil de segurança e o facto de não causar hipoglicemia significativa quando usada isoladamente, tornam-na a medicação de primeira linha em muitos casos.
Este artigo destina-se a fornecer uma visão abrangente sobre a metformina, abordando as suas indicações, mecanismos de ação, posologia habitual e potenciais efeitos secundários. É fundamental que a informação aqui apresentada seja considerada como um complemento e não como um substituto do aconselhamento médico ou farmacêutico. O tratamento da diabetes requer sempre acompanhamento por profissionais de saúde.
Para que serve a Metformina?
A metformina é um medicamento antidiabético oral amplamente utilizado, cujo principal propósito é o controlo da glicemia em doentes com diabetes mellitus tipo 2 (DM2). No entanto, as suas aplicações estendem-se para além do controlo glucose, devido aos múltiplos efeitos metabólicos que demonstrou.
Diabetes Mellitus Tipo 2
A indicação primária da metformina é o tratamento da diabetes mellitus tipo 2 em adultos, particularmente nos doentes com excesso de peso ou obesidade. É frequentemente o primeiro medicamento a ser prescrito após o diagnóstico, em conjunto com orientações para a modificação do estilo de vida (dieta e exercício físico). Pode ser utilizada como monoterapia, ou em combinação com outros agentes antidiabéticos orais ou com insulina, quando o controlo glicémico não é alcançado apenas com a metformina.
Em crianças e adolescentes com mais de 10 anos, a metformina também é indicada para o tratamento da diabetes tipo 2, seja em monoterapia ou em combinação com insulina.
Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP)
Embora não esteja explicitamente indicada na maioria das bulas aprovadas pelas agências reguladoras (como o INFARMED em Portugal), a metformina é frequentemente prescrita "off-label" para mulheres com síndrome do ovário poliquístico (SOP), especialmente naquelas que apresentam resistência à insulina. A SOP é uma doença hormonal comum que afeta mulheres em idade fértil e é caracterizada por distúrbios menstruais, excesso de androgénios e ovários poliquísticos. A resistência à insulina é um fator chave no desenvolvimento de muitos dos sintomas da SOP.
Na SOP, a metformina pode ajudar a:
- Melhorar a sensibilidade à insulina.
- Reduzir os níveis de androgénios, o que pode aliviar sintomas como hirsutismo (excesso de pelos) e acne.
- Restaurar ciclos menstruais regulares e promover a ovulação, aumentando as chances de gravidez em algumas mulheres.
- Contribuir para a perda de peso em mulheres com SOP que apresentam excesso de peso.
Potencial em outras condições
A investigação tem explorado o potencial da metformina em diversas outras condições, embora estas não sejam indicações aprovadas e o seu uso nestes contextos permaneça em estudo:
- Pré-diabetes: Alguns estudos sugerem que a metformina pode atrasar ou prevenir o desenvolvimento de diabetes tipo 2 em indivíduos com pré-diabetes, especialmente aqueles com IMC elevado.
- Cancro: Há evidências crescentes de que a metformina pode ter propriedades anticancerígenas, modulando vias metabólicas e de crescimento celular. Investigações estão em curso para avaliar a sua utilidade como terapia adjuvante em certos tipos de cancro.
- Doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA): Em doentes com DHGNA e resistência à insulina, a metformina pode melhorar os parâmetros hepáticos, embora não seja a terapia de primeira linha.
- Envelhecimento: Estudos em modelos animais sugerem que a metformina poderá ter efeitos anti-envelhecimento, atuando em vias metabólicas relacionadas com a longevidade.
É crucial reiterar que estas últimas aplicações permanecem no campo da investigação e não são indicações aprovadas para o uso da metformina. O tratamento deve ser sempre baseado em evidências e orientações clínicas estabelecidas.
Como funciona a Metformina?
A metformina exerce os seus efeitos através de múltiplos mecanismos, o que a torna uma escolha eficaz para o controlo da glicemia na diabetes tipo 2. Ao contrário de alguns outros medicamentos para a diabetes, a metformina não estimula diretamente a secreção de insulina pelo pâncreas, o que significa que, quando usada isoladamente, apresenta um baixo risco de causar hipoglicemia (níveis de açúcar no sangue perigosamente baixos).
Os principais mecanismos de ação incluem:
- Redução da produção hepática de glicose (gliconeogénese): Este é considerado o principal mecanismo pelo qual a metformina diminui os níveis de açúcar no sangue. A metformina inibe a gliconeogénese, o processo pelo qual o fígado produz glicose a partir de substratos não-hidrocarbonatados (como lactato, aminoácidos e glicerol), e a glicogenólise (degradação do glicogénio hepático para libertar glicose). Acredita-se que este efeito seja mediado, pelo menos em parte, pela ativação da AMP-ativada proteína quinase (AMPK), uma enzima chave no metabolismo energético celular.
- Aumento da sensibilidade à insulina: A metformina melhora a sensibilidade dos tecidos periféricos (músculo esquelético e tecido adiposo) à insulina. Isto permite que as células captem e utilizem a glicose do sangue de forma mais eficiente, reduzindo os níveis de glicemia. A melhoria da sensibilidade à insulina ajuda a superar a resistência à insulina, uma característica central da diabetes tipo 2.
- Redução da absorção intestinal de glicose: Alguns estudos sugerem que a metformina pode diminuir a absorção de glicose proveniente dos alimentos no trato gastrointestinal. Este efeito pode contribuir para a redução dos picos de glicose pós-prandiais (após as refeições).
- Melhoria do perfil lipídico: Para além dos efeitos na glicemia, a metformina pode ter um impacto benéfico nos lípidos sanguíneos, conduzindo a uma ligeira redução dos níveis de triglicerídeos e colesterol LDL (o "mau" colesterol).
Devido a estes mecanismos de ação, a metformina não só ajuda a baixar os níveis de glicose no sangue, mas também pode ter um impacto positivo no peso corporal (muitas vezes leva a uma perda de peso modesta ou estabilização, em contraste com alguns outros antidiabéticos que podem causar ganho de peso) e em outros fatores de risco cardiovascular.
Dose e modo de administração
A dose de metformina é individualizada e deve ser determinada pelo médico, com base na resposta do doente e na tolerância aos efeitos secundários. É crucial aderir às recomendações médicas para maximizar a eficácia e minimizar os riscos.
Início do tratamento e titulação da dose
O tratamento com metformina é geralmente iniciado com uma dose baixa, que é gradualmente aumentada ao longo do tempo. Esta abordagem visa reduzir os efeitos secundários gastrointestinais, que são comuns no início do tratamento.
Dose Usual (Adultos):
- Dose Inicial: Normalmente, 500 mg ou 850 mg de metformina, uma ou duas vezes ao dia.
- Titulação: A dose pode ser gradualmente aumentada, geralmente semanalmente, para atingir o controlo glicémico desejado.
- Dose de Manutenção: A dose mais comum é de 850 mg, duas a três vezes ao dia, ou 1000 mg, duas vezes ao dia.
- Dose Máxima: A dose diária máxima recomendada para adultos é de 2550 mg (geralmente dividida em 3 tomas) ou 2000 mg para formulações de libertação prolongada administradas uma vez ao dia.
Dose Usual (Crianças e Adolescentes a partir dos 10 anos):
- Dose Inicial: Geralmente 500 mg, uma vez ao dia.
- Titulação: A dose pode ser gradualmente aumentada a cada 1-2 semanas até um máximo de 2000 mg por dia, administrada em 2 ou 3 tomas.
Modo de administração
A metformina deve ser administrada por via oral, com ou imediatamente após as refeições. Tomar o medicamento com alimentos ajuda a diminuir a probabilidade de ocorrência de efeitos secundários gastrointestinais, como náuseas, vómitos ou diarreia. Os comprimidos devem ser engolidos inteiros com um copo de água, sem mastigar ou partir, especialmente as formulações de libertação prolongada.
Monitorização
Durante o tratamento com metformina, a função renal deve ser avaliada regularmente (pelo menos anualmente, ou com maior frequência em idosos e doentes com risco de compromisso renal). Os níveis de vitamina B12 também podem necessitar de monitorização, especialmente em tratamentos prolongados, devido ao risco de deficiência. O controlo da glicemia (hemoglobina glicada, glicemia em jejum) é fundamental para avaliar a eficácia do tratamento e ajustar a dose, se necessário.
Tabela de titulação de dose (exemplo ilustrativo - seguir sempre a indicação médica)
| Período | Dose Matinal | Dose Noturna | Dose Total Diária (Exemplo) |
| Semana 1 | 500 mg | - | 500 mg |
| Semana 2 | 500 mg | 500 mg | 1000 mg |
| Semana 3-4 | 850 mg | 850 mg | 1700 mg |
| Manutenção | 1000 mg | 1000 mg | 2000 mg |
Nota: Esta tabela é um exemplo e a titulação real dependerá da resposta individual do paciente e da orientação do médico. As formulações podem variar entre 500 mg, 850 mg e 1000 mg.
Efeitos secundários da Metformina
Como todos os medicamentos, a metformina pode causar efeitos secundários, embora nem todos os doentes os experienciem. A maioria dos efeitos indesejáveis são leves e transitórios, especialmente quando o tratamento é iniciado com uma dose baixa e gradualmente aumentado.
Efeitos secundários muito frequentes (podem afetar mais de 1 em 10 pessoas)
- Perturbações gastrointestinais: Náuseas, vómitos, diarreia, dor abdominal e perda de apetite. Estes são os efeitos secundários mais comuns e ocorrem frequentemente no início do tratamento. Geralmente, melhoram com a continuação da medicação e quando a metformina é tomada às refeições.
Efeitos secundários frequentes (podem afetar até 1 em 10 pessoas)
- Alterações do paladar: Um sabor metálico na boca.
Efeitos secundários muito raros (podem afetar até 1 em 10 000 pessoas)
- Alterações da função hepática ou hepatite: Casos isolados de testes anormais da função hepática ou inflamação do fígado que podem resolver-se com a interrupção da metformina.
- Acidose Láctica: Este é um efeito secundário muito raro, mas potencialmente grave. É uma emergência médica que se manifesta por acumulação de ácido láctico no sangue. Os sintomas incluem vómitos, cãibras musculares, dor abdominal, falta de ar, astenia (sensação de fraqueza extrema) e hipotermia (diminuição da temperatura corporal). Requer atenção médica imediata. O risco de acidose láctica aumenta em situações de insuficiência renal grave, insuficiência cardíaca congestiva controlada, desidratação, consumo excessivo de álcool e em procedimentos com contraste iodado.
- Deficiência de vitamina B12: A utilização prolongada de metformina tem sido associada à redução dos níveis de vitamina B12 no sangue, podendo levar a anemia megaloblástica. O médico pode considerar a monitorização da vitamina B12 e suplementação, se necessário. Aprenda mais sobre "A importância da vitamina B12 para a sua saúde" aqui.
- Reações cutâneas: Eritema (vermelhidão da pele), prurido (comichão) e urticária (erupção cutânea com comichão).
Gestão dos efeitos secundários
- Para efeitos gastrointestinais:
- Início gradual da dose: Começar com uma dose baixa e aumentar progressivamente, conforme recomendado pelo médico.
- Tomar com as refeições: Ingerir a metformina durante ou imediatamente após as refeições.
- Formulações de libertação prolongada (XR/ER): Se os efeitos gastrointestinais persistirem, o médico pode considerar a mudança para uma formulação de libertação prolongada, que muitas vezes é melhor tolerada.
- Em caso de sintomas de acidose láctica: Procurar ajuda médica de emergência imediatamente. A acidose láctica é uma condição grave que requer tratamento hospitalar.
- Monitorização regular: Realizar os exames de sangue e urina conforme indicado pelo médico, para monitorizar a função renal, hepática e os níveis de vitamina B12.
É importante que os doentes comuniquem quaisquer efeitos secundários ao seu médico ou farmacêutico. Nunca se deve interromper a medicação sem aconselhamento profissional.
Contraindicações e precauções
A metformina é um medicamento com um perfil de segurança bem estabelecido, mas existem condições nas quais a sua utilização é contraindicada ou requer precauções especiais. É fundamental que o médico esteja ciente de todo o historial clínico do doente antes de prescrever metformina.
Contraindicações absolutas
A metformina é contraindicada nas seguintes situações:
- Hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes.
- Qualquer tipo de acidose metabólica aguda:
- Cetoacidose diabética (uma complicação grave da diabetes com níveis elevados de cetonas).
- Acidose láctica (ver secção de efeitos secundários), incluindo histórico de acidose láctica.
- Insuficiência renal grave:
- Taxa de filtração glomerular estimada (TFGe) abaixo de 30 mL/min/1,73 m². A metformina é excretada pelos rins; a sua acumulação em caso de insuficiência renal pode aumentar drasticamente o risco de acidose láctica.
- Doenças agudas com risco de alteração da função renal: Por exemplo, desidratação (devido a vómitos, diarreia grave), infeção grave, choque.
- Doença aguda ou crónica que pode causar hipóxia tecidular (falta de oxigénio nos tecidos), como:
- Insuficiência cardíaca descompensada.
- Insuficiência respiratória.
- Enfarte do miocárdio recente.
- Choque.
- Insuficiência hepática: Doença hepática grave.
- Intoxicação alcoólica aguda e alcoolismo.
- Amamentação: A metformina é excretada no leite materno e não é recomendada durante a amamentação.
Precauções especiais
O uso de metformina requer precauções e uma avaliação cuidadosa em algumas situações:
- Função renal: Antes de iniciar o tratamento e, subsequentemente, pelo menos uma vez por ano (ou mais frequentemente em idosos e doentes com maior risco de insuficiência renal), deve ser avaliada a taxa de filtração glomerular (TFGe).
- Se a TFGe for de 45-59 mL/min/1,73 m², a iniciação do tratamento não é recomendada, mas a dose existente pode ser mantida (com dose máxima de 1000 mg/dia).
- Se a TFGe for de 30-44 mL/min/1,73 m², a dose máxima recomendada é de 1000 mg/dia e a função renal deve ser monitorizada a cada 3-6 meses.
- Se a TFGe for inferior a 30 mL/min/1,73 m², a metformina é contraindicada.
- Idosos: Doentes idosos têm maior probabilidade de ter insuficiência renal, por isso a função renal deve ser monitorizada mais frequentemente neste grupo.
- Gravidez: Embora estudos em animais não mostrem efeitos prejudiciais, os dados em humanos são limitados. Recomenda-se que a diabetes gestacional seja tratada com insulina. Se planeia engravidar ou se engravidar durante o tratamento, consulte o seu médico.
- Cirurgia e procedimentos com contraste iodado:
- A metformina deve ser suspensa antes ou no momento de um procedimento de imagiologia com administração intravascular de meios de contraste iodados e não deve ser retomada antes de 48 horas após, e só depois de a função renal ter sido reavaliada e considerada normal.
- A metformina deve ser suspensa no momento da cirurgia com anestesia geral, espinal ou epidural. O medicamento não deve ser retomado antes de, pelo menos, 48 horas após a cirurgia ou início da alimentação oral, e só quando a função renal estiver normalizada.
- Exposição à luz solar: Não há dados que sugiram que a metformina aumente a sensibilidade à luz solar (fotossensibilidade).
- Desidratação: Condições que podem levar a desidratação (como vómitos ou diarreia intensos, febre, exposição ao calor intenso) devem ser tratadas com precaução, e a metformina pode precisar de ser temporariamente suspensa para evitar o risco de acidose láctica.
- Consumo de álcool: O consumo de álcool (especialmente excessivo) aumenta o risco de acidose láctica, particularmente em caso de jejum ou má nutrição. Evitar o consumo excessivo de álcool durante o tratamento com metformina.
É fundamental discutir todas as condições médicas preexistentes e todos os medicamentos que está a tomar com o seu médico, para garantir que a metformina é segura e adequada para si.
Interações da Metformina com outros medicamentos
A metformina pode interagir com outros medicamentos, alterando a sua eficácia ou aumentando o risco de efeitos secundários. É essencial informar o médico ou farmacêutico sobre todos os medicamentos (incluindo os de venda livre, suplementos e produtos à base de plantas) que está a tomar.
1. Agentes de contraste iodados
- Risco: A administração intravenosa de agentes de contraste iodados pode levar a uma diminuição súbita da função renal, o que aumenta drasticamente o risco de acumulação de metformina e de acidose láctica.
- Recomendação: A metformina deve ser suspensa antes ou no momento do exame e não deve ser retomada antes de 48 horas e apenas após a função renal ter sido reavaliada e considerada normal.
2. Medicamentos que podem prejudicar a função renal
- Exemplos: Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs, como ibuprofeno, naproxeno), inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECAs, como captopril, enalapril), antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARAII, como valsartan, losartan) e alguns diuréticos (especialmente os diuréticos tiazídicos e de ansa).
- Risco: A coadministração com metformina aumenta o risco de acidose láctica, pois estes medicamentos podem comprometer a função renal.
- Recomendação: É necessária uma monitorização cuidadosa da função renal ao iniciar ou ajustar a dose destes medicamentos em doentes a tomar metformina.
3. Medicamentos que podem aumentar os níveis de glicose no sangue (hiperglicémicos)
- Exemplos: Corticosteroides (sistémicos e tópicos), agonistas beta-2 (como salbutamol para asma), diuréticos (especialmente tiazídicos), fenotiazinas, produtos hormonais (estrogénios, contracetivos orais, hormonas da tiroide) e niacina.
- Risco: Podem contrariar o efeito hipoglicemiante da metformina, levando a um aumento dos níveis de glicose no sangue.
- Recomendação: Pode ser necessário ajustar a dose de metformina ou monitorizar mais frequentemente os níveis de glicose no sangue durante a coadministração.
4. Medicamentos que podem diminuir os níveis de glicose no sangue (hipoglicémicos)
- Exemplos: Sulfonilureias, insulina, meglitinidas, inibidores da DPP-4, agonistas do recetor GLP-1 (muitos deles também usados para tratar a diabetes).
- Risco: A coadministração com metformina (especialmente com sulfonilureias ou insulina) aumenta o risco de hipoglicemia.
- Recomendação: É fundamental ajustar as doses destes medicamentos e monitorizar os níveis de glicose para evitar hipoglicemia.
5. Transportadores de catiões orgânicos (OCT)
- A metformina é um substrato para os transportadores de catiões orgânicos OCT1 e OCT2.
- Inibidores do OCT1 (ex. verapamilo): Podem reduzir a eficácia da metformina.
- Inibidores do OCT2/MATE (ex. cimetidina, ranolazina, dolutegravir): Podem aumentar a exposição sistémica à metformina, aumentando potencialmente o risco de efeitos secundários, como a acidose láctica.
- Indutores do OCT1 (ex. rifampicina): Podem diminuir a eficácia da metformina.
- Recomendação: Aconselha-se precaução e monitorização da resposta glicémica e/ou dos efeitos secundários quando estes medicamentos são administrados concomitantemente com metformina.
6. Álcool
- Risco: O consumo excessivo de álcool aumenta o risco de acidose láctica, especialmente em caso de jejum ou má nutrição, ou insuficiência hepática. O álcool diminui a produção de glicose pelo fígado, e a metformina também tem este efeito, podendo aumentar o risco de hipoglicemia em alguns contextos.
- Recomendação: Evitar o consumo excessivo de álcool durante o tratamento com metformina.
Esta lista não é exaustiva. É crucial que o doente informe o seu médico e farmacêutico sobre todos os medicamentos e suplementos que toma para garantir um tratamento seguro e eficaz. Pode ver mais sobre "Interações medicamentosas" aqui.
Perguntas frequentes
A metformina ajuda a emagrecer?
A metformina não é um medicamento para perda de peso, mas pode levar a uma perda de peso modesta ou à estabilização do peso em alguns doentes. Este efeito é mais notável em indivíduos com excesso de peso ou obesidade e está associado à melhoria da sensibilidade à insulina e à redução do apetite.
Posso beber álcool enquanto tomo metformina?
Deve evitar o consumo excessivo de álcool enquanto toma metformina, pois o álcool pode aumentar o risco de uma complicação grave chamada acidose láctica. O consumo moderado de álcool deve ser discutido com o seu médico, especialmente se tiver outras condições de saúde.
Se me esquecer de uma dose de metformina, o que devo fazer?
Se se esqueceu de tomar uma dose, tome-a assim que se lembrar, a não ser que esteja quase na hora da próxima dose. Nesse caso, ignore a dose esquecida e continue com a sua dose normal. Não tome uma dose a dobrar para compensar a dose que se esqueceu.
A metformina causa hipoglicemia (níveis baixos de açúcar no sangue)?
Quando tomada isoladamente, a metformina tem um risco baixo de causar hipoglicemia, uma vez que não age estimulando a libertação de insulina. No entanto, se for utilizada em combinação com outros medicamentos como sulfonilureias ou insulina, o risco de hipoglicemia aumenta.
Quanto tempo demora para a metformina fazer efeito?
A metformina começa a atuar no organismo logo após a primeira toma, mas os seus efeitos completos no controlo glicémico, medidos pela hemoglobina glicada (HbA1c), podem demorar algumas semanas (geralmente 2-4 semanas) a manifestar-se, à medida que a dose é gradualmente titulada.
Preciso de mudar a minha dieta enquanto tomo metformina?
Sim, a metformina é mais eficaz quando combinada com mudanças no estilo de vida, incluindo uma dieta saudável e equilibrada e exercício físico regular. O seu médico ou nutricionista pode fornecer orientações dietéticas específicas para a diabetes.
Fontes e referências
- INFARMED, I.P. (2024). Resumo das Características do Medicamento (RCM) - Metformina. Disponível em: https://www.infarmed.pt/br/RCM_IF/Metformina (URL exemplar, o site do INFARMED requer pesquisa específica)
- European Medicines Agency (EMA). Metformin. Disponível em: https://www.ema.europa.eu/en/medicines/human/EPAR/metformin
- Manual MSD Profissional. Metformina. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/end%C3%B3crinas-e-metab%C3%B3licas/diabetes-mellitus-e-dist%C3%BArbios-do-metabolismo-dos-hidratos-de-carbono/medicamentos-para-a-diabetes-mellitus
- National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Type 2 diabetes in adults: management. Disponível em: https://www.nice.org.uk/guidance/ng28
- Drugs.com. Metformin. Disponível em: https://www.drugs.com/metformin.html
- American Diabetes Association (ADA). Standards of Medical Care in Diabetes. Disponível em: https://diabetesjournals.org/care/issue/current
