Vacina da Gripe e COVID-19 2026/2027: Quem Pode, Quando e Onde
A vacinação contra a Gripe e a COVID-19 é uma medida crucial de saúde pública, especialmente para proteger os grupos mais vulneráveis. Para a época sazonal de 2026/2027, as orientações sobre quem pode ser vacinado, quando e onde as vacinas estão disponíveis, continuarão a focar-se na segurança e eficácia, seguindo as recomendações das autoridades de saúde nacionais e internacionais. Este artigo visa esclarecer todas as suas dúvidas para que possa tomar decisões informadas sobre a sua proteção e a da sua família.
Neste guia, enquanto médica de família, explicarei de forma prática e baseada em evidências quem está elegível para estas vacinas, o calendário habitual da campanha de vacinação e os locais onde poderá aceder a elas em Portugal, reiterando a importância destas prevenções para a sua saúde e a da comunidade.
Índice
- O que são as vacinas da Gripe e COVID-19 e por que são importantes?
- Quem pode e deve ser vacinado em 2026/2027?
- Grupos de Risco para a Gripe
- Grupos de Risco para a COVID-19
- Quem não deve ser vacinado?
- Quando e Onde se vacinar?
- Como funcionam as vacinas e quais os efeitos secundários esperados?
- Tratamento e o que pode fazer em casa
- Quando ir à urgência
- Perguntas frequentes
- Fontes e Referências
O que são as vacinas da Gripe e COVID-19 e por que são importantes?
As vacinas contra a Gripe e a COVID-19 são ferramentas essenciais para proteger a saúde pública. A gripe é uma doença respiratória sazonal causada pelo vírus Influenza, que pode variar em gravidade de ano para ano, mas é frequentemente associada a complicações graves, como pneumonia, bronquiolite e exacerbação de doenças crónicas, podendo mesmo levar à hospitalização e morte, especialmente em grupos de risco. A vacina da gripe é reformulada anualmente para combater as estirpes de vírus Influenza que se prevê que sejam mais predominantes na próxima estação, adaptando-se à evolução natural do vírus.
A COVID-19, causada pelo vírus SARS-CoV-2, continua a ser uma preocupação de saúde global. Embora a fase aguda da pandemia possa ter passado, o vírus continua a circular e a evoluir, originando novas variantes. A vacinação contra a COVID-19 é fundamental para reduzir o risco de desenvolver doença grave, hospitalização e morte, bem como para diminuir a probabilidade de desenvolver a chamada "COVID longa". Tal como a vacina da gripe, a vacina da COVID-19 é atualizada periodicamente para fornecer proteção contra as variantes mais recentes do vírus. Ambas as vacinas atuam estimulando o sistema imunitário a produzir anticorpos, que o preparam para combater o vírus caso seja exposto a ele. A sua importância reside na proteção individual e coletiva, contribuindo para a redução da pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde (SNS) durante os meses de inverno.
Quem pode e deve ser vacinado em 2026/2027?
As recomendações para a vacinação contra a Gripe e a COVID-19 são anualmente atualizadas pela Direção-Geral da Saúde (DGS), com base em dados epidemiológicos e nas mais recentes evidências científicas. No entanto, os grupos prioritários tendem a manter-se consistentes devido à sua maior vulnerabilidade. A vacinação é fortemente recomendada para estes grupos.
Grupos de Risco para a Gripe
Os seguintes grupos são geralmente considerados prioritários para a vacinação gratuita contra a Gripe, dada a sua maior vulnerabilidade a complicações graves:
- Pessoas com 60 ou mais anos de idade: A imunidade tende a ser menos eficaz com o avanço da idade.
- Pessoas com doenças crónicas:
- Doenças cardiovasculares (excluindo hipertensão arterial isolada).
- Doenças respiratórias (como asma grave, Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica - DPOC, fibrose quística).
- Doenças metabólicas (como diabetes mellitus).
- Doenças renais crónicas.
- Doenças hepáticas crónicas.
- Doenças neurológicas (como esclerose múltipla, doença de Parkinson).
- Imunodepressão (incluindo infeção por VIH, tratamento com medicamentos imunossupressores).
- Doenças oncológicas.
- Doenças do sangue.
- Obesidade mórbida.
- Grávidas: Em qualquer trimestre de gestação, para proteger a mãe e o bebé (que nasce com anticorpos).
- Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados: Para se protegerem e prevenirem a transmissão a doentes e utentes vulneráveis.
- Cuidadores informais de doentes crónicos e idosos: Pela proximidade e risco de transmissão.
- Pessoas institucionalizadas: Em lares de idosos, unidades de cuidados continuados, etc.
- Crianças a partir dos 6 meses de idade que apresentem as mesmas condições de risco que os adultos, e, em algumas épocas, poderá ser alargada a vacinação universal para todas as crianças.
Grupos de Risco para a COVID-19
As recomendações para a vacina da COVID-19 também visam proteger os mais vulneráveis e são geralmente alinhadas com as da gripe, embora possam ter algumas especificidades:
- Pessoas com 60 ou mais anos de idade: Maior risco de doença grave.
- Pessoas com doenças crónicas graves ou imunodepressão:
- Doenças oncológicas ativas.
- Doença renal crónica grave ou em diálise.
- Doença hepática crónica grave.
- Imunodeficiências primárias ou secundárias.
- Transplantados de órgão sólido ou de células estaminais.
- Doenças cardiovasculares graves.
- Doenças respiratórias crónicas graves.
- Diabetes mellitus descompensada.
- Pessoas com trissomia 21.
- Pessoas com obesidade mórbida.
- Grávidas: Para proteger a mãe e o feto.
- Profissionais de saúde e outros profissionais que contactem com utentes vulneráveis: Para evitar surtos em ambientes de cuidados.
- Cuidadores informais de doentes crónicos e idosos.
- Residentes e trabalhadores em lares de idosos e outras instituições de cuidados continuados.
É importante referir que a vacinação simultânea contra a Gripe e a COVID-19 é segura e eficaz, sendo uma estratégia recomendada para otimizar a proteção e a cobertura vacinal.
Quem não deve ser vacinado?
Existem poucas contraindicações absolutas para estas vacinas, que devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde:
- Reação alérgica grave (anafilaxia) a uma dose anterior da vacina ou a qualquer um dos seus componentes.
- Doença febril aguda moderada a grave: A vacinação deve ser adiada até a recuperação.
- No caso das vacinas da gripe que contêm ovos, alergia grave a ovo é uma contraindicação que deve ser avaliada caso a caso, uma vez que existem vacinas com baixo teor de ovalbumina.
Em caso de dúvidas sobre a sua elegibilidade ou possíveis contraindicações, deverá sempre consultar o seu médico assistente.
Quando e Onde se vacinar?
A campanha de vacinação contra a Gripe e a COVID-19 em Portugal ocorre anualmente, geralmente com início no outono, para coincidir com o período de maior circulação dos vírus respiratórios. As datas exatas são anunciadas pela DGS e pelo Ministério da Saúde.
Processo de Vacinação:
- Anúncio Oficial: A DGS e o Ministério da Saúde anunciam o início da campanha, os grupos prioritários e os locais de vacinação.
- Agendamento ou Acesso Direto:
- Centros de Saúde (ACES/USF): São o principal local de vacinação. Muitos utentes prioritários são contactados diretamente para agendamento. Pode também contactar o seu centro de saúde para verificar a sua elegibilidade e agendar. Para saber qual o seu centro de saúde e como contactá-lo, pode utilizar o Portal do SNS Cidadão ou a aplicação MySNS.
- Farmácias Aderentes: Muitas farmácias comunitárias aderem à campanha, oferecendo a vacina da gripe e, por vezes, a da COVID-19 a grupos específicos, especialmente aos que pagam a vacina. É aconselhável consultar a sua farmácia de eleição.
- Hospitais: Em alguns casos, pode ser feita a vacinação em contexto hospitalar, sobretudo para doentes internados ou em ambulatório com condições específicas.
- Outros pontos de vacinação: Em campanhas anteriores, foram criados centros de vacinação temporários, especialmente para a COVID-19.
- Vacinação Simultânea: É comum e recomendado que as vacinas da Gripe e da COVID-19 sejam administradas no mesmo dia, em locais diferentes do corpo, para otimizar a proteção.
- Registo: A vacinação é registada no seu processo clínico eletrónico. Poderá consultar o seu boletim de vacinas digital através da aplicação SNS 24 ou do Portal do SNS Cidadão.
Calendário Típico da Campanha (2026/2027):
| Fase da Campanha | Período Estimado | Grupos-Alvo Principal | Locais Preferenciais |
| Fase 1 (Prioritária) | Outubro - Novembro | Pessoas com 60+ anos, Grávidas, Imunodeprimidos, Doentes crónicos de alto risco, Profissionais de saúde, Institucionalizados | Centros de Saúde, Hospitais, Farmácias |
| Fase 2 (Alargamento) | Novembro - Dezembro | Outros grupos de risco, População em geral (se houver doses e recomendações) | Centros de Saúde, Farmácias |
| Fase 3 (Manutenção) | Dezembro - Janeiro+ | Qualquer pessoa elegível que ainda não tenha sido vacinada | Centros de Saúde, Farmácias |
É fundamental estar atento aos comunicados da DGS para as datas e locais específicos da campanha de 2026/2027. Pode consultar informações atualizadas no site da DGS ou na aplicação SNS 24.
Como funcionam as vacinas e quais os efeitos secundários esperados?
As vacinas da Gripe e da COVID-19 atuam de forma semelhante, "ensinado" o nosso sistema imunitário a reconhecer e combater os vírus sem causar a doença.
Vacinas da Gripe: A maioria das vacinas da gripe utiliza versões inativadas (mortas) do vírus ou apenas partes dele. Uma vez injetadas, estas partículas virais (antigénios) desencadeiam uma resposta imunitária. O corpo produz anticorpos e células de memória que ficam preparadas para atacar o vírus da gripe real, caso haja exposição. As vacinas são anualmente atualizadas para incluir as estirpes de Influenza que se preveem circular.
Vacinas da COVID-19: As vacinas da COVID-19 utilizam diferentes tecnologias, como mRNA (como as vacinas da Pfizer e Moderna), vetor viral (como a da AstraZeneca e Janssen) ou subunidades proteicas. O objetivo é o mesmo: apresentar uma proteína específica do SARS-CoV-2 (geralmente a proteína spike) ao sistema imunitário para que este produza anticorpos e células T, proporcionando imunidade contra o vírus. Tal como as vacinas da gripe, as vacinas da COVID-19 são atualizadas para combater as variantes mais recentes.
Efeitos Secundários Esperados (ambas as vacinas):
A maioria dos efeitos secundários é leve e transitória, indicando que o sistema imunitário está a responder à vacina.
- Efeitos Secundários Comuns (e o que fazer):
- Dor, vermelhidão e inchaço no local da injeção: Muito frequente. Pode aplicar uma compressa fria no local e movimentar o braço.
- Febre baixa: Geralmente até 38ºC. Pode tomar um analgésico-antipirético como paracetamol, se necessário.
- Dor de cabeça: Pode tomar paracetamol.
- Dores musculares ou articulares: Pode tomar paracetamol.
- Cansaço ou mal-estar geral: Descanse.
- Náuseas: Beba líquidos e coma alimentos leves.
Estes sintomas aparecem geralmente nas primeiras 24-48 horas após a vacinação e desaparecem em 1 a 2 dias.
- Efeitos Secundários Mais Raros:
- Reações alérgicas graves (anafilaxia): São extremamente raras, mas podem ocorrer. É por isso que é solicitado que permaneça em observação por 15 a 30 minutos após a vacinação. Os profissionais de saúde estão preparados para as tratar imediatamente.
- Outros efeitos secundários graves são muito raros e as vacinas passam por rigorosos testes de segurança antes de serem aprovadas e monitorizadas continuamente após a sua comercialização pelo INFARMED.
É importante realçar que os benefícios da vacinação (prevenção de doença grave, hospitalização e morte) superam largamente os riscos dos efeitos secundários.
Tratamento e o que pode fazer em casa
Após a vacinação, é natural sentir alguns efeitos secundários ligeiros. A gestão destes sintomas pode ser feita em casa com medidas simples.
- Para dor, vermelhidão ou inchaço no local da injeção:
- Aplique uma compressa fria ou saco de gelo (envolto num pano) sobre a área.
- Evite massajar vigorosamente o local.
- Mantenha o braço em movimento suave para ajudar a aliviar a rigidez.
- Para febre baixa, dor de cabeça, dores musculares ou mal-estar geral:
- Repouso: Descanse o suficiente para que o seu corpo possa recuperar e o sistema imunitário possa trabalhar.
- Hidratação: Beba bastante água, chá ou sumos naturais. A hidratação é fundamental, especialmente se tiver febre.
- Medicação para a dor e febre: Pode tomar medicamentos de venda livre como paracetamol (acetaminofeno) ou ibuprofeno, seguindo sempre as instruções de dosagem e sem exceder a dose máxima diária. Não os tome antes da vacinação para "prevenir" efeitos secundários, pois isso pode, teoricamente, interferir com a resposta imune.
- Alimentação: Mantenha uma alimentação leve e equilibrada.
- Evitar esforços: Durante as 24-48 horas após a vacinação, evite exercícios físicos extenuantes.
Se tiver sintomas respiratórios após a vacinação (tosse, constipação, dor de garganta): Embora as vacinas não causem a doença que previnem, é possível contrair uma infeção respiratória ao mesmo tempo ou logo após a vacinação. Se desenvolver sintomas respiratórios, é prudente:
- Isolamento: Mantenha distância de outras pessoas para evitar a transmissão de possíveis infeções.
- Higienização das mãos: Lave as mãos frequentemente.
- Utilização de máscara: Use máscara em espaços partilhados, especialmente se estiver perto de pessoas vulneráveis.
Se os sintomas persistirem por mais de 2-3 dias, piorarem ou se tiver alguma preocupação, contacte a Linha SNS 24 (808 24 24 24) ou o seu médico de família. Lembre-se que as vacinas não protegem contra todas as causas de constipações ou dores de garganta.
Quando ir à urgência
Embora os efeitos secundários graves das vacinas da Gripe e COVID-19 sejam raros, é crucial estar atento a sinais de alarme que possam indicar a necessidade de procurar atendimento médico urgente.
Deve procurar a urgência (ou ligar para o 112) se sentir:
- Dificuldade em respirar ou falta de ar intensa.
- Chieira ao respirar (pieira).
- Inchaço súbito da face, língua ou garganta.
- Urticária generalizada (erupção cutânea com comichão e relevo) que se espalha pelo corpo.
- Tonturas intensas, desmaio ou sensação de desmaio.
- Dor no peito persistente ou opressiva.
- Palpitações (coração acelerado) de início súbito e persistentes.
- Fraqueza ou adormecimento de um lado do corpo.
- Alterações súbitas da visão ou da fala.
- Crise convulsiva.
- Febre muito elevada (> 39-40ºC) que não cede com medicação, ou febre persistente por mais de 3 dias, especialmente se acompanhada de outros sintomas preocupantes.
- Reação grave no local da injeção, como inchaço intenso e persistente, dor excruciante ou sinais de infeção (vermelhidão intensa que se espalha, pus).
Estes sinais podem indicar uma reação alérgica grave (anafilaxia) ou outro problema de saúde que requer avaliação médica imediata. Se estiver em dúvida, é sempre melhor procurar aconselhamento médico. Pode ligar para a Linha SNS 24 (808 24 24 24) para obter orientação sobre o que fazer.
Perguntas frequentes
As vacinas da Gripe e da COVID-19 são obrigatórias?
Não, em Portugal, as vacinas da Gripe e da COVID-19 não são de administração obrigatória, mas são fortemente recomendadas pela Direção-Geral da Saúde, especialmente para os grupos de risco, devido aos seus comprovados benefícios na prevenção de doença grave e complicações.
Posso apanhar a gripe ou COVID-19 da vacina?
Não, as vacinas da gripe e da COVID-19 não podem causar a doença. A vacina da gripe utiliza vírus inativados ou partes do vírus, e as vacinas da COVID-19 utilizam tecnologias que ensinam o corpo a combater o vírus sem o introduzir na sua forma ativa. Os sintomas pós-vacinação são a sua resposta imunitária a trabalhar.
As grávidas podem ser vacinadas?
Sim, a vacinação contra a gripe e a COVID-19 é recomendada para grávidas em qualquer trimestre da gestação. É uma medida segura e eficaz que protege não só a mãe, mas também o bebé recém-nascido, através da transferência de anticorpos.
Posso tomar as duas vacinas ao mesmo tempo?
Sim, é seguro e eficaz tomar as vacinas da Gripe e da COVID-19 na mesma consulta ou no mesmo dia. Esta coadministração é uma estratégia recomendada para maximizar a cobertura vacinal e a proteção contra ambas as doenças respiratórias.
Se já tive gripe ou COVID-19, preciso de me vacinar?
Sim, mesmo que já tenha tido gripe ou COVID-19, a vacinação continua a ser recomendada. A imunidade natural pode não ser duradoura ou abranger todas as estirpes/variantes, e a vacinação oferece uma proteção mais robusta e ampla.
Qual é a diferença entre a vacina da gripe anual e a da COVID-19?
A principal diferença reside nos vírus que combatem. A vacina da gripe é anual e visa as estirpes de Influenza mais prováveis de circular na estação. A vacina da COVID-19 visa o vírus SARS-CoV-2 e as suas variantes, sendo atualizada conforme a evolução do vírus.
Leia também
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Fontes e Referências
- Direção-Geral da Saúde (DGS): Normas e Orientações para a Campanha de Vacinação contra a Gripe e COVID-19.
- INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P.: Informação sobre as vacinas e sua segurança.
- Organização Mundial da Saúde (OMS): Informação sobre vacinas contra a gripe e COVID-19.
- Serviço Nacional de Saúde (SNS 24): Informação geral e agendamento de vacinação.
- Mayo Clinic: Informação médica detalhada sobre vacinação.
- Manual MSD (Versão para Profissionais de Saúde): Secções sobre Gripe e COVID-19 e respetivas vacinas.
