Calendário de Vacinação em Portugal 2026: Guia Completo
# Calendário de Vacinação em Portugal 2026: Guia Completo
O Programa Nacional de Vacinação (PNV) é universal, gratuito e financiado pelo SNS. Em 2026 mantém-se a estrutura introduzida em 2020, com pequenos ajustes — nomeadamente o reforço da vacina HPV para rapazes e a integração da vacina contra o VSR para grávidas e idosos. Este programa representa um dos pilares da saúde pública em Portugal, assegurando proteção contra doenças infeciosas graves e contribuindo para a saúde individual e coletiva da população.
Este guia apresenta o calendário oficial atualizado, explica cada vacina e responde às dúvidas mais comuns, com base nas mais recentes evidências científicas e nas recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).
Como funciona o PNV em Portugal
Todas as vacinas do PNV são gratuitas para quem reside em Portugal, independentemente da nacionalidade ou situação contributiva. Este acesso universal e equitativo é um dos maiores pontos fortes do sistema português. As vacinas são administradas nos centros de saúde (Unidades de Saúde Familiar - USF e Unidades de Cuidados de Saúde Personalizados - UCSP) por enfermeiros especializados, seguindo um plano rigoroso e supervisionado. O registo de cada vacina é efetuado no Boletim Individual de Saúde (o tradicional "boletim das vacinas" em papel, para o qual se recomenda um cuidado especial de conservação) e, mais modernamente, na app SNS 24, permitindo um acesso rápido e cómodo ao historial vacinal. Para um aprofundamento, consulta também o nosso guia sobre check-up médico anual. Para um aprofundamento, consulta também o nosso guia sobre inchaço abdominal.
A adesão ao PNV é voluntária mas fortemente recomendada. Através de campanhas de sensibilização e da informação acessível fornecida pelos profissionais de saúde, a DGS procura promover a importância da vacinação. A taxa de cobertura vacinal em Portugal está consistentemente entre as mais altas da Europa (superando 95% para a maioria das vacinas infantis), um feito que reflete a confiança da população nos programas de vacinação e que é um fator crucial para a quase erradicação de doenças como o sarampo e a poliomielite no país.
A importância da vacinação na saúde pública
A vacinação é inquestionavelmente uma das intervenções de saúde pública mais custo-eficazes e de maior impacto na prevenção de doenças, incapacidade e morte. A sua importância transcende a proteção individual, estendendo-se à comunidade através do conceito de imunidade de grupo (ou imunidade de rebanho). Quando uma percentagem suficientemente elevada da população está vacinada contra uma doença contagiosa, a transmissão do agente infecioso torna-se menos provável, o que protege indiretamente os indivíduos que não podem ser vacinados (por exemplo, bebés muito pequenos, pessoas com sistemas imunitários enfraquecidos ou com contraindicações médicas à vacina).
Disfunções na cobertura vacinal, mesmo em pequena escala, podem levar a surtos de doenças potencialmente graves, como o sarampo, como tem sido observado em várias regiões da Europa com baixas taxas de vacinação. O PNV português, ao longo das décadas, tem demonstrado a sua eficácia na diminuição drástica da incidência de doenças como a difteria, o tétano, a poliomielite, a tosse convulsa, as infeções invasivas por Haemophilus influenzae tipo b, o sarampo, a rubéola e as papeiras, entre outras.
Calendário PNV 2026 — Crianças e Adolescentes
A infância é uma fase crítica para o desenvolvimento do sistema imunitário e, consequentemente, para a administração da maioria das vacinas. O PNV de 2026 para crianças e adolescentes está desenhado para oferecer a máxima proteção nos momentos mais vulneráveis.
| Idade | Vacinas | Proteção contra | Observações |
| Nascimento | BCG (tuberculose), Hepatite B (1.ª dose) | Tuberculose, Hepatite B | A BCG é dada apenas em neonatos de grupos de risco ou com história de exposição; a Hepatite B é universal. |
| 2 meses | Hexavalente (DTPa-VIP-Hib-VHB), Pneumocócica 13, Rotavírus, Meningocócica B | Difteria, Tétano, Tosse Convulsa, Poliomielite, Haemophilus influenzae tipo b, Hepatite B; Doença Pneumocócica Invasiva; Gastroenterite por Rotavírus; Doença Meningocócica Invasiva por serogrupo B | Início do esquema de vacinação fundamental. |
| 4 meses | Hexavalente, Pneumocócica 13, Rotavírus, Meningocócica B | Mesmas doenças | Segunda dose das mesmas vacinas, reforçando a proteção inicial. |
| 6 meses | Hexavalente, Meningocócica B | Mesmas doenças (exceto pneumocócica e rotavírus) | Terceira dose da Hexavalente e Meningocócica B. |
| 12 meses | VASPR (sarampo, papeira, rubéola), Meningocócica C, Pneumocócica 13 | Sarampo, Papeira, Rubéola; Doença Meningocócica Invasiva por serogrupo C; Doença Pneumocócica Invasiva | Importante para a imunidade contra estas doenças virais e bacterianas. |
| 18 meses | Hexavalente (reforço), Hepatite A (1.ª dose) | Mesmas doenças da Hexavalente; Hepatite A | Reforço crucial para a manutenção da imunidade; início da vacinação contra Hepatite A. |
| 5 anos | DTPa-VIP, VASPR (reforço) | Difteria, Tétano, Tosse Convulsa, Poliomielite; Sarampo, Papeira, Rubéola | Reforço antes da entrada no ensino básico, importante para a reativação da imunidade. |
| 10 anos (rapazes e raparigas) | HPV (2 doses, 6 meses de intervalo) | Infeções por Vírus do Papiloma Humano (HPV) e cancros associados | Novidade 2026: a vacina HPV foi alargada definitivamente aos rapazes (já desde 2020 no PNV) com cobertura nonavalente em todo o país. Protege contra 9 tipos de HPV. |
| 10 anos | Tdpa (tétano, difteria, tosse convulsa) | Tétano, Difteria, Tosse Convulsa | Reforço para a adolescência, especialmente importante pela tosse convulsa. |
Detalhes sobre a Vacina HPV (Vírus do Papiloma Humano): A introdução desta vacina para rapazes é um avanço significativo. Anteriormente, a vacinação HPV era principalmente associada à prevenção do cancro do colo do útero em raparigas. Contudo, o HPV não afeta só o sexo feminino. Existem cancros relacionados com o HPV que afetam homens (ânus, orofaringe, pénis) e verrugas genitais. Ao vacinar ambos os sexos, obtém-se uma proteção individual mais completa e, mais importante, uma imunidade de grupo que reduz drasticamente a circulação do vírus na população, protegendo todos. A vacina nonavalente (Gardasil 9) em uso no PNV protege contra os tipos mais oncogénicos e os que causam verrugas.
Calendário PNV 2026 — Adultos e Grupos Específicos
A vacinação não é exclusiva da infância. Ao longo da vida, os adultos podem precisar de reforços ou de novas vacinas, dependendo da idade, estado de saúde, profissão ou outros fatores.
| Idade / situação | Vacinas | Proteção contra | Observações |
| 10 em 10 anos | Tétano e difteria (Td) | Tétano, Difteria | Reforço essencial para a manutenção da imunidade ao longo da vida adulta. |
| ≥ 65 anos | Gripe (anual), Pneumocócica 23, VSR (recomendada) | Gripe sazonal; Doença Pneumocócica Invasiva por 23 serotipos; Vírus Sincicial Respiratório | Gripe e VSR anuais; Pneumocócica dose única, excepto em risco. |
| Grávidas | Tdpa (28-36 semanas), Gripe (qualquer altura), VSR (32-36 semanas) | Tétano, Difteria, Tosse Convulsa; Gripe sazonal; Vírus Sincicial Respiratório | Tdpa para proteger o bebé da tosse convulsa nos primeiros meses; Gripe e VSR para proteger mãe e recém-nascido. |
| Profissionais de saúde | Gripe, Hepatite B, VASPR, Tdpa | Gripe sazonal, Hepatite B, Sarampo, Papeira, Rubéola, Tétano, Difteria, Tosse Convulsa | Proteção individual e prevenção da transmissão em ambiente clínico. |
| Imunodeprimidos | Pneumocócica 13 + 23, Meningocócica, Hepatite A/B | Doença Pneumocócica Invasiva, Doença Meningocócica Invasiva, Hepatite A/B | Esquema específico, individualizado pelo médico assistente, devido ao risco acrescido de infeção. |
| Doentes Crónicos | Gripe (anual), Pneumocócica 23, Hepatite A/B (se risco) | Gripe, Doença Pneumocócica Invasiva, Hepatite A/B | Doenças crónicas (diabetes, DPOC, cardiopatias graves, doença renal crónica) aumentam o risco de complicações. |
Vacinas sazonais 2026/2027
As vacinas sazonais são aquelas administradas em determinados períodos do ano, geralmente para responder a doenças com picos de incidência sazonais.
Gripe
A campanha de vacinação contra a gripe ocorre tipicamente de outubro a janeiro. A vacina é reformulada anualmente para combater as estirpes virais predominantes previstas para a estação. É gratuita para os seguintes grupos, devido ao risco acrescido de complicações graves:
- Indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos;
- Grávidas;
- Crianças entre 2 e 4 anos de idade;
- Doentes crónicos (nomeadamente diabetes, doença pulmonar obstrutiva crónica - DPOC, outras doenças respiratórias crónicas, cardiopatias, imunodeprimidos, doença renal crónica, doenças neurológicas crónicas);
- Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados em instituições de saúde;
- Residentes em lares de idosos e outras instituições para grupos de risco.
Para a restante população que não se enquadre nos grupos elegíveis para gratuidade, a vacina da gripe é comparticipada pelo SNS nas farmácias comunitárias, com um custo residual a suportar pelo utente (cerca de 10 €).
COVID-19
A vacinação anual contra a COVID-19, em 2026, estará integrada na campanha da gripe, seguindo a mesma lógica de gratuidades e abrangendo os mesmos grupos de risco. A vacina utilizada será a versão adaptada às variantes circulantes mais recentes, conforme as recomendações do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) e da Agência Europeia do Medicamento (EMA), visando otimizar a proteção contra a doença. Este reforço anual é crucial para manter a imunidade e prevenir casos graves, internamentos e óbitos, especialmente em populações vulneráveis.
VSR (Vírus Sincicial Respiratório)
Novidade no PNV português, desde 2024 a vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) é recomendada e gratuita para:
- Grávidas (entre as 32 e as 36 semanas de gestação): esta estratégia visa proteger o recém-nascido através da passagem de anticorpos maternos, prevenindo a doença grave por VSR nos primeiros meses de vida, uma das principais causas de bronquiolite e internamento hospitalar em bebés.
- Maiores de 75 anos: nesta faixa etária, o VSR pode causar infeções respiratórias graves, semelhantes à gripe, com risco de pneumonia, hospitalização e morte.
A vacina é administrada nos centros de saúde a estes grupos elegíveis, representando um avanço significativo na proteção de faixas etárias muito vulneráveis a esta infeção respiratória comum.
Vacinas para viajar
As vacinas para viajar, ou "vacinas do viajante", não fazem parte do PNV padrão, mas são cruciais para a segurança de quem se desloca para determinadas regiões do mundo. Podem ser exigidas por lei em alguns destinos ou fortemente recomendadas para prevenir doenças endémicas.
- Febre amarela: Obrigatória para a entrada em alguns países (ex: Brasil, vários países da África subsariana, alguns da América do Sul), a sua administração confere um "Certificado Internacional de Vacinação" com validade vitalícia.
- Hepatite A: Fortemente recomendada para a maioria dos destinos extra-europeus, especialmente para regiões com saneamento básico deficiente ou onde a higiene alimentar pode ser um desafio. É uma doença transmitida por via fecal-oral.
- Febre tifoide, raiva, encefalite japonesa: Estas vacinas são para destinos mais específicos e com maior risco de exposição a estas doenças. A febre tifoide é transmitida por alimentos e água contaminados; a raiva por mordeduras de animais infetados; a encefalite japonesa por mosquitos em regiões rurais da Ásia.
Recomenda-se vivamente que se marque uma Consulta do Viajante nas Consultas Internacionais do SNS (disponíveis em centros de saúde de referência ou hospitais, como o Instituto de Higiene e Medicina Tropical em Lisboa) ou clínicas privadas, pelo menos 4 a 6 semanas antes da data da viagem. Isto permite a identificação das vacinas necessárias, o tempo para a sua administração e potenciais reforços, bem como a dispensa de outras profilaxias (e.g., antimaláricos) e aconselhamento sobre riscos ambientais e de saúde no destino.
Onde ver o seu histórico vacinal
Manter o controlo sobre o seu historial de vacinas é cada vez mais fácil e acessível. A forma mais cómoda e atualizada é através da app SNS 24 ou do Portal SNS 24 (sns24.gov.pt). Após autenticação (com Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão), acedendo à secção "Vacinas", poderá visualizar todas as vacinas que lhe foram administradas, as datas de administração, os lotes e, em muitos casos, o profissional que as administrou, bem como a indicação de próximos reforços.
Em caso de discrepância, por exemplo, se tiver vacinas antigas registadas apenas no boletim em papel, é importante solicitá-lo no centro de saúde. Os profissionais de enfermagem podem atualizar o registo eletrónico, garantindo que o seu histórico digital está completo e fidedigno. Esta atualização é fundamental para evitar a vacinação desnecessária e para garantir que está adequadamente protegido.
Mitos e factos sobre vacinação
Apesar da evidência científica avassaladora a favor da vacinação, persistem muitos mitos e desinformação. É fundamental distinguir os factos da ficção para tomar decisões informadas:
Mito 1: As vacinas causam autismo.
Facto: Esta teoria foi baseada num estudo fraudulento de 1998, que foi posteriormente retratado e o seu autor perdeu a licença médica. Numerosos estudos científicos em larga escala, envolvendo milhões de crianças em todo o mundo, demonstraram de forma conclusiva que não há ligação entre vacinas (especialmente a VASPR) e o autismo.
Mito 2: Receber várias vacinas ao mesmo tempo sobrecarrega o sistema imunitário da criança.
Facto: O sistema imunitário de uma criança está constantemente exposto a centenas de antigénios diariamente. As vacinas representam uma carga antigénica mínima comparada com as exposições diárias naturais. Administrar várias vacinas em simultâneo é seguro e eficiente, permitindo proteger a criança mais cedo contra diversas doenças e evitando múltiplas idas ao médico.
Mito 3: É melhor contrair a doença para desenvolver imunidade natural do que ser vacinado.
Facto: Embora a imunidade natural após a doença seja por vezes mais duradoura, o risco associado a contrair a doença é significativamente maior. Doenças como o sarampo, poliomielite ou tosse convulsa podem causar complicações graves, sequelas permanentes (como paralisia, cegueira, surdez) e até a morte. As vacinas oferecem proteção sem o risco de contrair a doença, simulando uma infeção para que o corpo construa defesas de forma segura.
Mito 4: As vacinas contêm substâncias tóxicas como mercúrio.
Facto: O timerosal, um conservante que contém uma forma de mercúrio (etilmercúrio) e protegia contra a contaminação bacteriana em frascos de doses múltiplas, foi retirado da maioria das vacinas infantis em Portugal devido a preocupações infundadas, e não por evidência de toxicidade. O etilmercúrio é diferente do metilmercúrio, que é tóxico, e é rapidamente eliminado do corpo. Além disso, as vacinas atuais geralmente não contêm timerosal, e se contiverem, as quantidades são ínfimas e seguras.
Mito 5: Doenças como o sarampo já não existem devido à melhoria da higiene e saneamento, e não à vacinação.
Facto: Apesar de a higiene e o saneamento terem um papel importante na saúde pública, a erradicação ou controlo de muitas doenças infeciosas deve-se diretamente à vacinação. Antes da vacina contra o sarampo, por exemplo, a doença era comum e causava milhares de mortes. Com a vacina, os casos diminuíram drasticamente. A prova é que em países com baixas taxas de vacinação, o sarampo e outras doenças reemergiram mesmo com bons níveis de saneamento.
Quando consultar o médico ou enfermeiro de família
A consulta com o médico ou enfermeiro de família é fundamental para esclarecer dúvidas e tomar decisões informadas sobre a vacinação. Deve consultar um profissional de saúde nas seguintes situações:
- Antes de qualquer viagem internacional: para aconselhamento sobre vacinas do viajante e outras profilaxias.
- Se não tem a certeza do seu estado vacinal (ou do seu filho): o profissional pode consultar o registo eletrónico ou ajudar a construir um histórico com base em documentos antigos.
- Se perdeu o boletim de vacinas: para requerer um novo e atualizar o registo.
- Se tem condições de saúde específicas: como imunodepressão, doenças crónicas, ou se está grávida, pois pode haver recomendações vacinais específicas ou contraindicações temporárias a certas vacinas.
- Após uma exposição a uma doença infeciosa: por exemplo, se teve contacto com alguém com tétano ou sarampo, o médico pode indicar vacinação de emergência ou profilaxia pós-exposição.
- Para esclarecer dúvidas sobre os efeitos secundários das vacinas: embora geralmente ligeiros, é importante saber o que esperar e como gerir eventuais reações.
- Se está a planear engravidar: para rever o estado vacinal e garantir a imunidade contra doenças importantes na gravidez (ex: rubéola).
Conclusão
Manter o calendário de vacinação em dia é a melhor decisão de saúde preventiva que pode tomar — não só para si e para os seus entes queridos, mas também para a proteção de toda a comunidade. O Programa Nacional de Vacinação em Portugal é um dos mais robustos e abrangentes do mundo, oferecendo proteção de forma gratuita e acessível contra uma vasta gama de doenças graves.
Confirme o seu estado vacinal e o da sua família na app SNS 24 ou no Portal SNS 24, e não hesite em agendar os reforços em falta no seu centro de saúde. Os profissionais de saúde estão disponíveis para esclarecer qualquer dúvida e garantir que recebe a melhor proteção possível.
Fonte oficial: Direção-Geral da Saúde — Programa Nacional de Vacinação 2026 (dgs.pt).
Veja também: Hub Saúde Pública em Portugal
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Perguntas frequentes
O que é o Plano Nacional de Vacinação (PNV)?
O PNV é o conjunto de vacinas recomendadas e comparticipadas a 100% pelo Estado português, administradas gratuitamente nos centros de saúde do SNS. Está em vigor desde 1965, é atualizado periodicamente pela Direção-Geral da Saúde (DGS) com base nas recomendações da Comissão Técnica de Vacinação e da OMS, e cobre toda a população residente em Portugal independentemente da nacionalidade ou situação contributiva. O seu objetivo primordial é proteger a saúde pública através da prevenção de doenças infeciosas.
Quais as vacinas obrigatórias em Portugal?
Tecnicamente, nenhuma vacina é obrigatória por lei em Portugal — a adesão ao PNV é voluntária e baseada no consentimento informado. No entanto, é importante notar que certos contextos podem exigir comprovativo de vacinação: a inscrição em creche/escola (algumas instituições, especialmente privadas, podem solicitar o boletim de vacinas atualizado), profissões de saúde (especialmente vacinas como Hepatite B, VASPR, e Tdpa por risco ocupacional e proteção de doentes) e vacinas para viajantes (a febre amarela, por exemplo, é exigida por lei na entrada de alguns países). A cobertura vacinal em Portugal é das mais altas da Europa (>95%) o que demonstra a adesão generalizada da população, mesmo sem obrigatoriedade legal estrita.
Onde consultar o meu boletim de vacinas?
O seu histórico vacinal pode ser consultado online, no portal SNS 24 (sns24.gov.pt) ou na app SNS 24, após autenticação segura (com Chave Móvel Digital ou Cartão de Cidadão). Dentro da sua área pessoal, procure a secção "Boletim de Vacinas" para aceder ao registo completo, com datas, lotes e indicação do profissional responsável. Se notar omissões, especialmente de vacinas mais antigas que só constam em papel, é aconselhável levar o seu boletim de vacinas em papel ao centro de saúde para que seja feita a sincronização e atualização no sistema eletrónico. Veja o nosso guia do Portal SNS 24 Cidadão para mais informações detalhadas.
As vacinas do PNV são gratuitas?
Sim, todas as vacinas incluídas no PNV são completamente gratuitas para todos os residentes em Portugal e são administradas sem qualquer custo nos centros de saúde do SNS. Vacinas administradas no privado (em farmácias ou clínicas) geralmente têm um custo associado, no entanto, algumas vacinas (como a gripe sazonal e a COVID-19 para grupos prioritários e de risco) podem ser administradas gratuitamente em farmácias aderentes ou em centros de saúde, por protocolo com o SNS. Para residentes estrangeiros sem número de utente, o centro de saúde administra na mesma as vacinas do PNV após a sua inscrição, garantindo o acesso universal.
Tenho de pagar para vacinar contra a gripe?
Depende do grupo a que pertence. Para grávidas, pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, doentes crónicos (com patologias como diabetes, DPOC, cardiopatias graves), profissionais de saúde e residentes em lares e instituições similares, a vacina da gripe é gratuita e pode ser administrada nos centros de saúde do SNS ou em farmácias comunitárias aderentes. Fora destes grupos de risco, a vacina é adquirida na farmácia (com um preço médio que varia entre os 7 e os 15 euros, dependendo da vacina específica) e pode ser administrada aí ou por um enfermeiro no centro de saúde mediante prescrição. A época de vacinação anual decorre normalmente de outubro a janeiro.
Onde levo a vacina contra o tétano?
A vacina Td (tétano + difteria) faz parte integrante do PNV e é administrada gratuitamente no centro de saúde. O reforço é recomendado a cada 10 anos ao longo da vida adulta para manter uma proteção eficaz. Em caso de ferida com risco tetânico (como um corte profundo, mordedura de animal, ferimento contaminado com terra ou objeto enferrujado), deve dirigir-se ao centro de saúde ou a um serviço de urgência, pois pode haver indicação para um reforço antecipado da vacina e/ou para a administração de imunoglobulina antitetânica.
Vacinas para viajar: onde levar?
Vacinas para viajantes, como as contra a febre amarela, hepatite A, encefalite japonesa, febre tifoide ou raiva, são administradas em Consultas do Viajante. Estas consultas estão disponíveis em centros de referência do SNS (por exemplo, no Instituto de Higiene e Medicina Tropical em Lisboa, ou em Unidades de Saúde Pública mais abrangentes) e em clínicas privadas (como CUF, Lusíadas, Hospital da Luz, entre outras). A maioria destas vacinas não está incluída no PNV e, portanto, têm um custo associado que pode variar entre os 30 e os 90 euros por dose, dependendo da vacina e da clínica. Recomenda-se vivamente marcar a Consulta do Viajante com, pelo menos, 4 a 6 semanas de antecedência face à data da viagem, para dar tempo à vacinação e à aquisição de imunidade.
O que mudou no PNV em 2026?
As atualizações do PNV são comunicadas pela DGS no início de cada ano através de Normas DGS específicas. Para 2026, as alterações mais relevantes incluem a consolidação e generalização da vacina contra o HPV para rapazes e raparigas de 10 anos (com a vacina nonavalente, que protege contra 9 tipos de HPV), a manutenção do esquema acelerado para a vacina Meningocócica B, e a integração mais formal da vacinação contra o VSR para grávidas e idosos. Para consultar a versão exata e mais detalhada do PNV em vigor, recomenda-se verificar a página oficial da DGS (dgs.pt) ou o nosso guia atualizado.
A vacina HPV é só para raparigas?
Não. Desde 2020, a vacina HPV (atualmente a Gardasil 9) é administrada gratuitamente a rapazes e raparigas, ambos com 10 anos de idade, no âmbito do PNV português. A vacinação masculina é crucial não só para proteger os rapazes contra cancros relacionados com o HPV (como os orofaríngeos, anais e do pénis) e verrugas genitais, mas também para contribuir para a imunidade de grupo, reduzindo significativamente a circulação do vírus na comunidade e protegendo indiretamente as raparigas e mulheres. Adultos que se encontrem fora do escalão etário do PNV podem optar por vacinar-se no privado, com um custo aproximado de 450 a 600 euros pelo esquema completo.
Já recebi vacinas noutro país — como integrar no PNV?
Se recebeu vacinas noutro país, deve levar o seu boletim original de vacinas (ou uma tradução certificada, se necessário) ao seu centro de saúde português. O enfermeiro encarregue da vacinação irá avaliar as equivalências entre as vacinas e os esquemas administrados, atualizar o seu registo no SNS e indicar quais os reforços ou vacinas adicionais que podem ser necessários para completar o esquema do PNV português. Para crianças que iniciaram o esquema vacinal noutro país, é prática comum completar com as vacinas equivalentes do PNV, sem necessidade de repetir doses já administradas, desde que devidamente documentadas, para assegurar a continuidade da proteção.
